Seca histórica no rio Douro

Seca histórica no rio Douro

A nascente do Douro está a seca e mais cedo do que o habitual. O grande problema? 70% da água que corre em Portugal vem de Espanha, um dos países da europa que mais água consome para regar culturas. Podemos não ver impactos imediatos, mas o cenário é preocupante.  

Nos últimos anos a nascente do rio Douro tem ficado completamente seca com frequência. O fenómeno, que acontecia em Setembro, regra geral, aconteceu mais cedo este ano, logo no final de Julho.

A causa do cenário atual volta a estar associada à falta de chuva no Inverno e às altas temperaturas registadas nos últimos meses nas cabeceiras do rio Douro, que ficaram secas num extenso troço entre as altitudes 2100 e 1950 metros.

O meteorologista Agustín Sandoval fala  num “fenómeno sem precedentes”, garantindo que “nunca tinha visto” a nascente do Douro ficar sem água no final de Julho.

Nos meses de Janeiro e Fevereiro quase não nevou e a precipitação nesta região espanhola foi quase nula. “Foi um dos piores invernos com stress hídrico que me lembro”, refere. Seguiu-se o mês de Maio muito seco e em Junho e Julho vieram as vagas de calor com temperaturas invulgares na Serra de Urbión, a tocar os 40 graus durante dias seguidos, explica Agustín Sandoval. Até o comportamento dos animais, como é o caso dos veados, foi alterado por estarem privados de água e pasto.

Quase no fim do ano hidrológico, a reserva hídrica em território espanhol cai para mínimos históricos.

Apesar do impacto desta situação não ter efeitos imediatos em território português, há uma realidade incontornável: cerca de 70% da água que corre na rede hidrográfica nacional vem de Espanha, um país que sozinho consome mais água que França, Portugal, Grécia, Itália e Alemanha juntos, sobretudo nas culturas regadas. Por alguma razão o país vizinho é “horta da Europa”.

Fonte: Jornal Público

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